Os preenchedores dérmicos estão entre os procedimentos estéticos minimamente invasivos mais realizados no mundo. Nos Estados Unidos, dados da American Society of Plastic Surgeons registram mais de 3,4 milhões de procedimentos com preenchedores dérmicos em 2023, com crescimento de 4% em relação ao ano anterior. Junto com a popularização, ganhou atenção clínica um evento adverso raro e sério: a oclusão vascular induzida por preenchedor, conhecida na literatura internacional pela sigla FIVO (filler-induced vascular occlusion).

O que é a oclusão vascular induzida por preenchedor
A FIVO acontece quando o material injetado entra em um vaso sanguíneo ou comprime um vaso próximo, interrompendo o fluxo local. A consequência imediata é a isquemia, ou seja, a falta de oxigênio no tecido, que pode evoluir para necrose cutânea quando não tratada rapidamente. Em situações mais raras e graves, a oclusão pode atingir a artéria oftálmica e comprometer a visão.
Segundo a revisão de escopo publicada em 2026 no Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology, a FIVO é estimada entre 0,01% e 0,05% dos procedimentos com preenchedor. Trata-se, portanto, de um evento incomum, e é justamente essa raridade que explica por que o manejo ainda reúne condutas descritas caso a caso, em vez de um protocolo único consolidado.
O que a revisão de escopo reuniu
O levantamento foi conduzido por Ramirez, Gayle e colaboradores, com participação de equipe vinculada à Mayo Clinic. Uma revisão de escopo é um tipo de estudo que mapeia sistematicamente como um tratamento vem sendo utilizado, identificando padrões de prática e lacunas de conhecimento.
Os autores analisaram 294 registros em bases como PubMed, MEDLINE, Embase e Google Scholar e chegaram a 24 estudos que atenderam aos critérios de inclusão, publicados entre 2011 e 2025. A maior parte desse material é composta por relatos de caso e pequenas séries de casos, ou seja, descrições detalhadas da experiência de pacientes específicos.
Como a oxigenoterapia hiperbárica aparece nos casos publicados
Um achado central do mapeamento: em todos os estudos analisados, a oxigenoterapia hiperbárica foi empregada de forma integrada ao tratamento convencional da FIVO. Ela apareceu associada a condutas já estabelecidas, entre elas a hialuronidase (enzima que degrada o ácido hialurônico do preenchedor), agentes antiplaquetários, vasodilatadores e, em quadros mais graves, terapia trombolítica.
Os protocolos hiperbáricos descritos variaram entre os centros que publicaram os casos:
-
Pressões entre 2,0 e 3,0 atmosferas absolutas (ATA), a unidade que expressa a pressão dentro da câmara.
-
Sessões de 60 a 120 minutos, sem padrão único definido entre os serviços.
-
Início do tratamento em momentos distintos após o diagnóstico, conforme a decisão da equipe assistente.
Na oxigenoterapia hiperbárica, o paciente respira oxigênio a 100% em ambiente pressurizado, conforme o protocolo definido pelo médico. Esse é o mecanismo pelo qual a terapia eleva a oferta de oxigênio dissolvido no plasma, alcançando áreas com fluxo sanguíneo comprometido.
O que os relatos descrevem
Nos casos reunidos pela revisão, a oxigenoterapia hiperbárica foi associada à melhora da oxigenação tecidual em regiões com comprometimento vascular, com resolução de sintomas descrita em diferentes intervalos após o início do tratamento. Como a terapia foi sempre somada a outras condutas, os relatos retratam o desempenho do conjunto do protocolo, e não de uma intervenção isolada.
Os próprios autores apontam onde a literatura pode avançar: um protocolo específico de pressão, tempo e número de sessões para FIVO, critérios uniformes de seleção de pacientes e acompanhamento de longo prazo. O que já está documentado é consistente em direção: ao longo de mais de uma década de publicações, a oxigenoterapia hiperbárica vem sendo incorporada por diferentes serviços como adjuvante nos quadros isquêmicos ligados a preenchedores, com resultados favoráveis que abrem caminho para estudos prospectivos.
O lugar da OHB em um cuidado multidisciplinar
Para clínicas e serviços que oferecem oxigenoterapia hiperbárica, a leitura prática da revisão é direta. A terapia atua ao lado das condutas de primeira linha, como a aplicação precoce de hialuronidase e o encaminhamento urgente diante de qualquer sinal de comprometimento ocular. A indicação é sempre médica e individualizada, tomada em conjunto com dermatologistas, cirurgiões plásticos e demais especialistas envolvidos.
Essa lógica de complementaridade é a mesma que sustenta o uso da câmara em outras áreas, como no manejo adjuvante de infecções, em que a oxigenação elevada dos tecidos potencializa o tratamento principal. Serviços que já mantêm câmaras hiperbáricas ativas conseguem responder com rapidez quando o médico assistente identifica a necessidade, e a agilidade é um fator citado nos relatos de melhor evolução.
Conclusão
A revisão de escopo publicada em 2026 no Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology organiza, pela primeira vez em um único levantamento, como a oxigenoterapia hiperbárica vem sendo utilizada no manejo da oclusão vascular induzida por preenchedores. O retrato é de uma evidência em expansão, construída sobre relatos de caso e séries pequenas, que posiciona a OHB como ferramenta adjuvante dentro de protocolos multidisciplinares bem conduzidos. Para o setor estético, que cresce em volume de procedimentos, ter acesso rápido a uma câmara hiperbárica amplia o repertório da equipe diante de uma complicação rara e delicada.
Quer entender como a oxigenoterapia hiperbárica pode integrar a estrutura da sua clínica ou hospital? Fale com a equipe Oxy, fabricante brasileira de câmaras hiperbáricas monoplace: clique aqui.
Referências Científicas
• Ramirez LV, Gayle EP, Ormaza A, et al. Hyperbaric Oxygen Therapy in the Management of Dermal Filler-Induced Vascular Occlusion: A Scoping Review. J Clin Aesthet Dermatol. 2026;19(5):17-27. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42459244/
• American Society of Plastic Surgeons. Dados de procedimentos com preenchedores dérmicos nos Estados Unidos, 2023.
Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica; a indicação da oxigenoterapia hiperbárica é ato médico.